United States Holocaust Memorial Museum The Power of Truth: 20 Years
Museum   Education   Research   History   Remembrance   Genocide   Support   Connect
Donate
Enciclopédia do Holocausto

 

 

 

Dachau — Testemunho

Abraham Klausner
Estados Unidos

Descreve o encontro com sobreviventes do campo de Dachau [Vídeos de Entrevistas: 1995]

Transcrição:

Bom, eu cheguei em Dachau à noite e não vi nada, com exceção da praça principal através dos grandes portões. E, claro, eu esperei pela manhã ansioso, e, quando a manhã chegou, eu atravessei os portões de arame farpado até a área dos alojamentos e escolhi uma das barracas. Eu entrei e lá conheci o primeiro dos sobreviventes. Foi uma experiência difícil para mim, porque eu não acreditava que pudesse servir a um propósito. Eu não tinha nada para oferecer. Eu não tinha nada para dar. As pessoas precisavam de coisas básicas, precisavam de atenção de vários tipos, e eu não tinha nada. Mas, no entanto, lá estava eu em Dachau e senti que tinha que fazer alguma coisa e, então, eu entrei na barraca e fiquei ali, terrivelmente perturbado. Aqui estávamos nós em um período de libertação, e as pessoas ainda estavam em barracas, estiradas em camas de madeira. Havia três fileiras de camas de madeira, mais nada além disso. Não havia... nenhum tipo de roupa de cama. Não havia uma única barra de sabão. Não havia uma cadeira, um lugar para sentar. Era apenas uma, uma situação suja, e aqui as pessoas ou estavam estiradas nas camas de madeira ou movendo-se sem energia. Nem prestaram atenção em mim, como se eu não existisse. Ninguém veio até mim para dizer "Bem-vindo" ou "O que você quer?". Eles apenas, hum... eu era apenas uma aparição.

Bom, eu cheguei em Dachau à noite e não vi nada, com exceção da praça principal através dos grandes portões. E, claro, eu esperei pela manhã ansioso, e, quando a manhã chegou, eu atravessei os portões de arame farpado até a área dos alojamentos e escolhi uma das barracas. Eu entrei e lá conheci o primeiro dos sobreviventes. Foi uma experiência difícil para mim, porque eu não acreditava que pudesse servir a um propósito. Eu não tinha nada para oferecer. Eu não tinha nada para dar. As pessoas precisavam de coisas básicas, precisavam de atenção de vários tipos, e eu não tinha nada. Mas, no entanto, lá estava eu em Dachau e senti que tinha que fazer alguma coisa e, então, eu entrei na barraca e fiquei ali, terrivelmente perturbado. Aqui estávamos nós em um período de libertação, e as pessoas ainda estavam em barracas, estiradas em camas de madeira. Havia três fileiras de camas de madeira, mais nada além disso. Não havia... nenhum tipo de roupa de cama. Não havia uma única barra de sabão. Não havia uma cadeira, um lugar para sentar. Era apenas uma, uma situação suja, e aqui as pessoas ou estavam estiradas nas camas de madeira ou movendo-se sem energia. Nem prestaram atenção em mim, como se eu não existisse. Ninguém veio até mim para dizer "Bem-vindo" ou "O que você quer?". Eles apenas, hum... eu era apenas uma aparição.

O rabino Abraham Klausner era capelão militar do exército norte-americano. Ele chegou no campo de concentração de Dachau em maio de 1945. Foi designado para o 116º hospital de evacuação e trabalhou por cerca de cinco anos em campos de deslocados de guerra, auxiliando os sobreviventes judeus.

Copyright © United States Holocaust Memorial Museum, Washington, D.C.