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Enciclopédia do Holocausto

 

 

 

Auschwitz — Testemunho

Cecilie Klein-Pollack
1925, Korosmezo, Tchecoslováquia

Descreve a sua chegada em Auschwitz [Vídeos de Entrevistas: 1990]

Transcrição:

Eles nos fizeram marchar para um prédio enorme, onde havia toucas de banho, e nos mandaram tirar as roupas. Eu era jovem e sempre havia sido vaidosa, e estava vestida com as minhas melhores roupas, meu casaco bonito, meu melhor vestido e, por isso, juntei as roupas com cuidado quando eu as tirei, e veio essa Kapo e arremessou as roupas. E eu disse: "Essas são as minhas roupas." Ela disse que eu não precisaria mais delas. Fiquei terrivelmente assustada porque eu não sabia o que aquilo significava. Quando tiramos as roupas, mandaram que todas ficassem de pé em um banco, e eles nos rasparam, rasparam nosso cabelo e nossas partes íntimas. Nós olhavamos e não podíamos nem mesmo reconhecer umas às outras, já que estávamos nuas, não só sem nossas roupas, mas sem nosso cabelo. Em seguida, nos empurraram para esses chuveiros e abriram a água muito quente, que nos queimava. Quando saíamos debaixo da água quente, os agentes da SS e Kapos nos batiam para que voltássemos para debaixo do chuveiro. Então, abriram a água gelada, que teve o mesmo efeito, e, finalmente, saímos desse chuveiro. Deram um vestido para cada uma de nós que, claro, não servia. Alguns ficaram pequenos, muito pequenos, alguns ficaram muito grandes. Não nos deram, não recebemos nem roupa íntima, nem sutiã, nem calcinha, só aquele único vestido.

Eles nos fizeram marchar para um prédio enorme, onde havia toucas de banho, e nos mandaram tirar as roupas. Eu era jovem e sempre havia sido vaidosa, e estava vestida com as minhas melhores roupas, meu casaco bonito, meu melhor vestido e, por isso, juntei as roupas com cuidado quando eu as tirei, e veio essa Kapo e arremessou as roupas. E eu disse: "Essas são as minhas roupas." Ela disse que eu não precisaria mais delas. Fiquei terrivelmente assustada porque eu não sabia o que aquilo significava. Quando tiramos as roupas, mandaram que todas ficassem de pé em um banco, e eles nos rasparam, rasparam nosso cabelo e nossas partes íntimas. Nós olhavamos e não podíamos nem mesmo reconhecer umas às outras, já que estávamos nuas, não só sem nossas roupas, mas sem nosso cabelo. Em seguida, nos empurraram para esses chuveiros e abriram a água muito quente, que nos queimava. Quando saíamos debaixo da água quente, os agentes da SS e Kapos nos batiam para que voltássemos para debaixo do chuveiro. Então, abriram a água gelada, que teve o mesmo efeito, e, finalmente, saímos desse chuveiro. Deram um vestido para cada uma de nós que, claro, não servia. Alguns ficaram pequenos, muito pequenos, alguns ficaram muito grandes. Não nos deram, não recebemos nem roupa íntima, nem sutiã, nem calcinha, só aquele único vestido.

Cecilie era a mais nova de seis irmãos nascidos em uma família judia religiosa e de classe média. Em 1939, a Hungria ocupou a região na qual Cecilie morava na Tchecoslováquia. Os membros da sua família foram aprisionados. Os alemães ocuparam a Hungria em 1944. Cecilie e sua família tiveram que se mudar para um gueto em Huszt e, posteriormente, foram deportados para Auschwitz. Cecilie e sua irmã foram escolhidas para o trabalho forçado, o resto da sua família foi envenenada por gás na chegada. Cecilie foi transferida para diversos outros campos, nos quais trabalhou em fábricas. As Forças Aliadas a libertaram em 1945. Após a guerra, ela reencontrou seu noivo e casou-se com ele.

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