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Enciclopédia do Holocausto

 

 

 

Anti-Semitismo — Testemunho

Samuel Gruber
1913, Podhajce, Polônia

Descreve a reação de uma garota alemã ao saber que ele era judeu. [Vídeos de Entrevistas: 1991]

Transcrição:

Eu estava sentado à mesa e havia uma jovem garota ali, uma alemã. Eu falava fluentemente o alemão e então encetamos uma animada conversação. Percebi que que ela havia gostado de mim. Enquanto conversava comigo, ela começou a falar sobre os judeus: que por causa dos judeus a Guerra tinha estourado, que por causa dos judeus isto, isso e aquilo de ruim haviam acontecido. Então, eu fiz a ela uma pergunta simples, perguntei se ela já havia visto um judeu, e ela respondeu que não. Eu disse: "Como você sabe que [a culpa é dos judeus]?". Ela respondeu que Hitler havia dito que os judeus eram assassinos, e que eles eram assim e assado. Ela disse, ainda, que os judeus tinham chifres: "Eles têm chifres, judeus têm chifres", ela continuou dizendo. Eu disse: "Escute querida, eu sou judeu e não tenho chifres". Ela quase teve um desmaio. Foi inacreditável ver todas as caras que ela fez, até que saiu correndo daquela casa. Depois ela voltou e me disse que eu estava mentindo, que era impossível eu ser judeu: "Você não pode ser judeu", dizia ela. Eu era um jovem bonito, estava usando uniforme, e ela não conseguia acreditar. Esta era a imagem que se tinha dos judeus. Os alemães nem sequer sabiam como era um judeu na realidade, mas a imagem que tinham era de algo terrível, alguém com chifres, como algum demônio ou algo assim. Um judeu não podia ser uma pessoa comum.

Eu estava sentado à mesa e havia uma jovem garota ali, uma alemã. Eu falava fluentemente o alemão e então encetamos uma animada conversação. Percebi que que ela havia gostado de mim. Enquanto conversava comigo, ela começou a falar sobre os judeus: que por causa dos judeus a Guerra tinha estourado, que por causa dos judeus isto, isso e aquilo de ruim haviam acontecido. Então, eu fiz a ela uma pergunta simples, perguntei se ela já havia visto um judeu, e ela respondeu que não. Eu disse: "Como você sabe que [a culpa é dos judeus]?". Ela respondeu que Hitler havia dito que os judeus eram assassinos, e que eles eram assim e assado. Ela disse, ainda, que os judeus tinham chifres: "Eles têm chifres, judeus têm chifres", ela continuou dizendo. Eu disse: "Escute querida, eu sou judeu e não tenho chifres". Ela quase teve um desmaio. Foi inacreditável ver todas as caras que ela fez, até que saiu correndo daquela casa. Depois ela voltou e me disse que eu estava mentindo, que era impossível eu ser judeu: "Você não pode ser judeu", dizia ela. Eu era um jovem bonito, estava usando uniforme, e ela não conseguia acreditar. Esta era a imagem que se tinha dos judeus. Os alemães nem sequer sabiam como era um judeu na realidade, mas a imagem que tinham era de algo terrível, alguém com chifres, como algum demônio ou algo assim. Um judeu não podia ser uma pessoa comum.

Samuel, um soldado polonês, foi ferido em ação e levado para a Alemanha como prisioneiro de guerra. À medida que a Guerra continuava, ele e os demais prisioneiros judeus recebiam um tratamento cada vez mais cruel por parte dos nazistas. Entre os campos de concentração nos quais ele foi internado estava Lublin-Lipowa, onde ele foi obrigado a trabalhar como escravo na construção do campo de concentração de Majdanek. Em 1942, ele escapou dos alemães e passou o resto da guerra como líder de um grupo de partisans armados.

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