United States Holocaust Memorial Museum The Power of Truth: 20 Years
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Enciclopédia do Holocausto

 

 

 

As Crianças durante o Holocausto — Testemunho

Irene Hizme e Rene Slotkin
1937, Teplice-Sanov, Tchecoslováquia

Descrevem a deportação para Auschwitz. [Vídeos de Entrevistas: 1995]

Transcrição:

IRENE: A outra lembrança que eu tenho, logo depois daquilo, é de nós andando pela neve, de noite, e nossa, minha mãe, nossa mãe arrastando uma mala, e eu me lembro que eu não queria ir para onde for que estivéssemos indo. Eu lembro que ela me deu um forte puxão, dizendo: “venha”. Então, eu me lembro dela, e é nestas horas que eu me lembro da presença da minha mãe, porque me lembro, sabe, dela realmente me puxando, para, como...

RENE: Eu acho que eu estava indo bem distraído porque não me lembro do puxão. Mas eu me lembro daquele noite e me lembro dos cachorros.

IRENE: Sim, sim, havia cachorros latindo. Depois, nós entramos em um trem.

RENE: Sim, daquela viagem de trem eu me lembro.

IRENE: Sim, eu também.

RENE: Quero dizer, aquilo era, agora nós sabemos, a viagem de trem para Auschwitz. A combinação de calor, cheiros, super-lotação, dava uma enorme agonia dentro no vagão. Você escuta que as pessoas simplesmente morriam...

IRENE: Havia gemidos e...

RENE: Gemidos, aquilo era horrível.

IRENE: E sendo pequena, era muito difícil ficar com aqueles corpos perto de mim. Lembro que eu ficava querendo me deitar.
RENE: Sim, é mesmo, nós não podíamos deitar por alguma razão...
IRENE: Isso, não tinha espaço...
RENE: Ou não tinha espaço, ou não tinha lugar, ou estava muito sujo, ou não tinha lugar nenhum para deitar.

IRENE: Você não podia, não tinha lugar. Ou seja, você tinha que ficar do mesmo jeito que entrou. Nós não choramos.

RENE: Não.

IRENE: Não choramos. Estávamos com medo. Sabíamos que chorar não era algo que se podia fazer.

IRENE: A outra lembrança que eu tenho, logo depois daquilo, é de nós andando pela neve, de noite, e nossa, minha mãe, nossa mãe arrastando uma mala, e eu me lembro que eu não queria ir para onde for que estivéssemos indo. Eu lembro que ela me deu um forte puxão, dizendo: “venha”. Então, eu me lembro dela, e é nestas horas que eu me lembro da presença da minha mãe, porque me lembro, sabe, dela realmente me puxando, para, como...

RENE: Eu acho que eu estava indo bem distraído porque não me lembro do puxão. Mas eu me lembro daquele noite e me lembro dos cachorros.

IRENE: Sim, sim, havia cachorros latindo. Depois, nós entramos em um trem.

RENE: Sim, daquela viagem de trem eu me lembro.

IRENE: Sim, eu também.

RENE: Quero dizer, aquilo era, agora nós sabemos, a viagem de trem para Auschwitz. A combinação de calor, cheiros, super-lotação, dava uma enorme agonia dentro no vagão. Você escuta que as pessoas simplesmente morriam...

IRENE: Havia gemidos e...

RENE: Gemidos, aquilo era horrível.

IRENE: E sendo pequena, era muito difícil ficar com aqueles corpos perto de mim. Lembro que eu ficava querendo me deitar.
RENE: Sim, é mesmo, nós não podíamos deitar por alguma razão...
IRENE: Isso, não tinha espaço...
RENE: Ou não tinha espaço, ou não tinha lugar, ou estava muito sujo, ou não tinha lugar nenhum para deitar.

IRENE: Você não podia, não tinha lugar. Ou seja, você tinha que ficar do mesmo jeito que entrou. Nós não choramos.

RENE: Não.

IRENE: Não choramos. Estávamos com medo. Sabíamos que chorar não era algo que se podia fazer.

Irene e seu irmão gêmeo, René, tiveram originalmente os nomes de Renate e Rene Guttmann. A família mudou-se para Praga logo após o nascimento dos gêmeos, e lá moravam quando os alemães ocuparam a Boêmia e a Morávia [partes da atual República Tcheca] em março de 1939. Alguns meses depois, alemães uniformizados prenderam seu pai. Décadas mais tarde, Irene e René descobriram que ele foi assassinado no campo de Auschwitz, em dezembro de 1941. Irene, René e sua mãe foram deportados para o gueto de Theresienstadt e, mais tarde, para o campo de Auschwitz. Em Auschwitz, os gêmeos foram separados e submetidos a cruéis "experiências médicas". Irene e René ainda permaneceram separados por algum tempo após a libertação de Auschwitz. O grupo "Rescue Children" (Crianças Resgatadas) levou Irene para os Estados Unidos em 1947, onde ela reencontrou-se com René em 1950.

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