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Enciclopédia do Holocausto

 

 

 

Os Refugiados — Testemunho

Martin Strauss
1923, Leipzig, Alemanha

Descreve a revista feita em sua família por soldados alemães na fronteira alemã com a italiana. [Vídeos de Entrevistas: 1991]

Transcrição:

Nós estávamos aguardando um visto de Xangai, de Israel ou da Inglaterra, que nos desse condições de partir da Alemanha. O visto de Israel chegou primeiro. Dois dias depois, o visto da Inglaterra chegou, mas o destino queria que nós fôssemos para Israel--ou Palestina, como era chamada naquela época. O motorista nos levou para a estrada de ferro, nos jogou dentro de um vagão, que nos levou para a Itália. Na fronteira, os alemães, sabendo que nós tínhamos os passaportes, sabendo que nós estávamos emigrando, nos separaram. Por nos separar, quero dizer literalmente. Eles arrancaram a perna de pau do meu pai para ver se havia dinheiro ou contrabando dentro dela, mas nós estávamos preparados porque naquela época já havíamos aprendido a lição. Eles tiraram a roupa da minha mãe, deixaram ela totalmente nua, e a revistaram em lugares que você nem pensaria em revistar. Depois pegaram minha irmã mais nova, na época uma criança de oito anos, e tiraram a roupa dela também. Eu não sei exatamente o quanto eles a revistaram, mas minha mãe me disse que ela foi total e completamente revistada. E, então, eles nos reuniram novamente, nossa bagagem e tudo mais, e nós fomos para a Itália. Da Itália fomos então para a Palestina.

Nós estávamos aguardando um visto de Xangai, de Israel ou da Inglaterra, que nos desse condições de partir da Alemanha. O visto de Israel chegou primeiro. Dois dias depois, o visto da Inglaterra chegou, mas o destino queria que nós fôssemos para Israel--ou Palestina, como era chamada naquela época. O motorista nos levou para a estrada de ferro, nos jogou dentro de um vagão, que nos levou para a Itália. Na fronteira, os alemães, sabendo que nós tínhamos os passaportes, sabendo que nós estávamos emigrando, nos separaram. Por nos separar, quero dizer literalmente. Eles arrancaram a perna de pau do meu pai para ver se havia dinheiro ou contrabando dentro dela, mas nós estávamos preparados porque naquela época já havíamos aprendido a lição. Eles tiraram a roupa da minha mãe, deixaram ela totalmente nua, e a revistaram em lugares que você nem pensaria em revistar. Depois pegaram minha irmã mais nova, na época uma criança de oito anos, e tiraram a roupa dela também. Eu não sei exatamente o quanto eles a revistaram, mas minha mãe me disse que ela foi total e completamente revistada. E, então, eles nos reuniram novamente, nossa bagagem e tudo mais, e nós fomos para a Itália. Da Itália fomos então para a Palestina.

Em 1938, o pai de Martin foi preso durante o massacre da "Noite dos Cristais" (Kristallnacht). Com a intervenção do motorista da família, um não-judeu, o pai de Martin foi solto três dias depois. A família conseguiu vistos para emigrar para a área do Mandato Britânico conhecida como Palestina, nome dado àquela região judaica pelos antigos romanos, e deixou a Alemanha em 1939. Lá, Martin ajudava imigrantes considerados "ilegais" pelos ingleses a enfrentarem as restrições britânicas que tinham por objetivo impedir a entrada de judeus naquela região. Em 1947 ele foi preso pelas forças inglêsas e foi proibido de residir naquele Mandato. Ele então teve que partir e emigrar para os Estados Unidos.

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