United States Holocaust Memorial Museum The Power of Truth: 20 Years
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Enciclopédia do Holocausto

 

 

 

Testemunho

Henry J. Kellermann
1910, Berlim, Alemanha

Descreve reações dos réus durante o Julgamento de Nuremberg [Vídeos de Entrevistas: 1992]

Transcrição:

Durante o julgamento, projetamos o filme "Death Mills", um documentário [nazista] que encontramos e que mostrava cenas originais de alguns campos de concentração e algumas cenas do gueto de Varsóvia. Nós escurecemos a sala das audiências e direcionamos algumas luzes sobre os rostos dos 22 réus. Tive então a oportunidade de ficar observando as expressões faciais deles enquanto o filme exibia toda aquela brutalidade. Foi incrível como eles reagiram. [Hermann] Goering nem olhou para tela, [Rudolf] Hess também não. [Hjalmar] Schacht, que durante todo o julgamento afirmou que nunca esteve ligado às atrocidades, virou as costas para a tela e cruzou os braços, para indicar que ele nem sequer estava presente...durante o período nazista. [Hans] Frank, o "Carniceiro da Polônia", começou a chorar. [Fritz] Sauckel também, era ele quem coordenava o trabalho dos prisioneiros. A única pessoa que olhou para a tela com evidente alegria e prazer foi [Julius] Streicher, que era o Gauleiter [líder nazista regional] da Bavária e Francônia, que havia sido o editor e dono de um jornal desprezível, o Stuermer [O Atacante], que também poderia ser chamado de Tropa de Assalto. O que ele viu, para ele, foi o show dele mesmo. Ele se sentiu totalmente orgulhoso do que viu naquele filme.

Durante o julgamento, projetamos o filme "Death Mills", um documentário [nazista] que encontramos e que mostrava cenas originais de alguns campos de concentração e algumas cenas do gueto de Varsóvia. Nós escurecemos a sala das audiências e direcionamos algumas luzes sobre os rostos dos 22 réus. Tive então a oportunidade de ficar observando as expressões faciais deles enquanto o filme exibia toda aquela brutalidade. Foi incrível como eles reagiram. [Hermann] Goering nem olhou para tela, [Rudolf] Hess também não. [Hjalmar] Schacht, que durante todo o julgamento afirmou que nunca esteve ligado às atrocidades, virou as costas para a tela e cruzou os braços, para indicar que ele nem sequer estava presente...durante o período nazista. [Hans] Frank, o "Carniceiro da Polônia", começou a chorar. [Fritz] Sauckel também, era ele quem coordenava o trabalho dos prisioneiros. A única pessoa que olhou para a tela com evidente alegria e prazer foi [Julius] Streicher, que era o Gauleiter [líder nazista regional] da Bavária e Francônia, que havia sido o editor e dono de um jornal desprezível, o Stuermer [O Atacante], que também poderia ser chamado de Tropa de Assalto. O que ele viu, para ele, foi o show dele mesmo. Ele se sentiu totalmente orgulhoso do que viu naquele filme.

Henry recebeu o título de Doutor em Direito pela Universidade de Berlim, em 1937. Auxiliado pelo rabino da Congregação Hebraica de Baltimore, Henry imigrou para os Estados Unidos naquele mesmo ano. Em 1945, o Escritório de Serviços Estratégicos, conhecido como OSS (Office of Strategic Services), o designou para elaborar material destinado aos julgamentos do Tribunal Militar Internacional, em Nuremberg, Alemanha. Para tal, ele teve a oportunidade de interrogar vários réus e testemunhas. Após a Guerra, ele ocupou vários cargos diplomáticos.

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