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Enciclopédia do Holocausto

 

 

 

Testemunho

Esther Raab
1922, Chelm, Polônia

Descreve a chegada de transportes em Sobibór [Vídeos de Entrevistas: 1992]

Transcrição:

Os transportes (a maioria deles, geralmente, costumava chegar durante a noite, mas alguns chegavam durante o dia), quando você ouvia aquele apito do comandante do campo, isto significava que o transporte estava entrando e que os homens que estavam presentes no campo deveriam se preparar para descarregar as pessoas e assim por diante. Aquele apito era como se alguém arrancasse o seu coração. Você sabia que havia outras pessoas, crianças, pessoas mais velhas, idosas, pessoas que nunca fizeram nada de errado na vida, e eles iriam, e não podiam dizer, resistir. Somente aquele sentimento de impotência, vontade de vingança, ressentimento, ódio e dor. Às vezes, eles vinham durante o dia e, às vezes, muitos entravam e eles não conseguiam conter, então, eles os colocavam atrás dos nossos arames farpados, onde nós seríamos presos. E diziam para nos afastarmos, para irmos para frente e para trás. Diziam a eles que eles iriam trabalhar, deveria parecer verdade e isso era difícil, era difícil. Você passar pelo outro, olhá-lo no rosto e saber que daqui a meia hora você não estará aqui, não poder nem dizer isso a ele. Você apenas disfarça, não com um sorriso, mas faz a melhor expressão que pode. Isso machucava, era muito, muito difícil.

Os transportes (a maioria deles, geralmente, costumava chegar durante a noite, mas alguns chegavam durante o dia), quando você ouvia aquele apito do comandante do campo, isto significava que o transporte estava entrando e que os homens que estavam presentes no campo deveriam se preparar para descarregar as pessoas e assim por diante. Aquele apito era como se alguém arrancasse o seu coração. Você sabia que havia outras pessoas, crianças, pessoas mais velhas, idosas, pessoas que nunca fizeram nada de errado na vida, e eles iriam, e não podiam dizer, resistir. Somente aquele sentimento de impotência, vontade de vingança, ressentimento, ódio e dor. Às vezes, eles vinham durante o dia e, às vezes, muitos entravam e eles não conseguiam conter, então, eles os colocavam atrás dos nossos arames farpados, onde nós seríamos presos. E diziam para nos afastarmos, para irmos para frente e para trás. Diziam a eles que eles iriam trabalhar, deveria parecer verdade e isso era difícil, era difícil. Você passar pelo outro, olhá-lo no rosto e saber que daqui a meia hora você não estará aqui, não poder nem dizer isso a ele. Você apenas disfarça, não com um sorriso, mas faz a melhor expressão que pode. Isso machucava, era muito, muito difícil.

Esther nasceu em uma família judia de classe média, em Chelm, Polônia. Em dezembro de 1942, ela foi deportada de um campo de trabalho para o centro de extermínio de Sobibór, na Polônia, que havia sido ocupada. Ao chegar em Sobibór, Esther foi escolhida para trabalhar em um galpão de triagem. Ela separava roupas e pertences das pessoas que eram mortas no campo. Durante o verão e o outono de 1943, Esther estava entre um grupo de prisioneiros, no campo de Sobibór, que planejavam fazer uma rebelião e fugir. Leon Feldhendler e Aleksandr (Sasha) Pechersky eram os líderes do grupo. A revolta ocorreu em 14 de outubro de 1943. Guardas alemães e ucranianos abriram fogo contra os prisioneiros, que não conseguiram chegar ao portão principal. Portanto, precisaram fugir pelo campo minado dos arredores. Cerca de 300 prisioneiros fugiram. Mais de 100 deles foram recapturados e baleados. Esther estava entre os que fugiram e sobreviveram.

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