United States Holocaust Memorial Museum The Power of Truth: 20 Years
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Enciclopédia do Holocausto

 

 

 

Testemunho

Blanka Rothschild
1922, Lodz, Polônia

Descreve a importância de compartilhar e das amizades para conseguir sobreviver nas condições do gueto de Lodz [Vídeos de Entrevistas: 1994]

Transcrição:

Uma das minhas amigas de escola (eu estudei em uma escola particular para meninas) também estava no gueto, com a mãe dela. E ela ficou muito, muito doente, e eles queriam deportá-la. Todos nós, que éramos seus amigos, decidimos tirar um pouco das nossas porções miseráveis, e juntar tudo isso para levar a ela todos os dias. Você não pode imaginar o valor da comida naquele tempo, para distribuir assim. Eu tinha uma luva, de algum jeito, em algum lugar no gueto, e nós estávamos congelando. Então, a luva estava sendo usada por todo mundo, por minha amiga, pelos meus amigos. Nós estávamos dividindo essa luva unitária, assim, uma mão conseguia se esquentar por alguns minutos. Eu não sei de quem era a luva de verdade, mas ela me foi dada e nós a dividíamos. E eu me lembro dessa luva. Quando eu encontrei uma das garotas após a guerra, na Inglaterra, ela perguntou se eu lembrava da minha luva. Respondi que sim, que eu lembrava da luva.

Uma das minhas amigas de escola (eu estudei em uma escola particular para meninas) também estava no gueto, com a mãe dela. E ela ficou muito, muito doente, e eles queriam deportá-la. Todos nós, que éramos seus amigos, decidimos tirar um pouco das nossas porções miseráveis, e juntar tudo isso para levar a ela todos os dias. Você não pode imaginar o valor da comida naquele tempo, para distribuir assim. Eu tinha uma luva, de algum jeito, em algum lugar no gueto, e nós estávamos congelando. Então, a luva estava sendo usada por todo mundo, por minha amiga, pelos meus amigos. Nós estávamos dividindo essa luva unitária, assim, uma mão conseguia se esquentar por alguns minutos. Eu não sei de quem era a luva de verdade, mas ela me foi dada e nós a dividíamos. E eu me lembro dessa luva. Quando eu encontrei uma das garotas após a guerra, na Inglaterra, ela perguntou se eu lembrava da minha luva. Respondi que sim, que eu lembrava da luva.

Blanka era a filha única de uma família muito unida em Lodz, na Polônia. Seu pai morreu em 1937. Após a invasão alemã na Polônia, Blanka e sua mãe permaneceram em Lodz com a avó de Blanka, que estava impossibilitada de viajar. Com outros parentes, elas foram forçadas a ir para o gueto de Lodz em 1940. Lá, Blanka trabalhou em uma padaria. Ela e sua mãe, mais tarde, trabalharam em um hospital no gueto de Lodz, onde permaneceram até o final de 1944, quando foram deportadas para o campo de Ravensbrueck, na Alemanha. De Ravensbrueck, Blanka e sua mãe foram enviadas para o subcampo de Sachsenhausen. Blanka foi obrigada a trabalhar em uma fábrica de aviões (Arado-Werke). Sua mãe foi mandada para outro campo. As forças soviéticas libertaram Blanka na primavera de 1945. Blanka, vivendo em casas abandonadas, conseguiu voltar para Lodz. Ela descobriu que nenhum de seus parentes, incluindo sua mãe, havia sobrevivido. Blanka, então, foi em direção ao oeste, para Berlim, chegando, por fim, em um campo para deslocados de guerra. Ela emigrou para os Estados Unidos em 1947.

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