United States Holocaust Memorial Museum The Power of Truth: 20 Years
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Enciclopédia do Holocausto

 

 

 

Testemunho

Gerda Haas
1922, Ansbach, Alemanha

Descreve o reencontro com seu pai nos Estados Unidos, depois da Guerra. [Vídeos de Entrevistas: 1995]

Transcrição:

Vamos ver, ele foi embora em 39, e só o vi novamente em ... 46...em abril de 46, e foi muito estranho. Vim de barco, e cheguei, hum, acho que foi na Páscoa judaica, durante os feriados de Pessach. Meu pai também continuou sendo muito religioso. Ele veio para Boston me buscar. Cheguei no porto de Boston, e ele, ele não pôde viajar até o barco para me encontrar. Ele enviou outra pessoa, e esta pessoa me levou para o apartamento onde ele estava e asssim o reencontrei. E achei que encontraria um homem velho, porque eu tinha passado por tanta coisa... Eu tinha vivido seis vidas, sabe, para mim foi como se fossem cem anos. E achei que veria um homem velho e acabado, cheio de tristeza, sofrimento e remorso. Mas não foi assim. Lá estava um homem jovem, bonito, de cabelos escuros, ereto e elegante, com 50 anos de idade, que me saudou. E isso, isso foi...Tive que ajustar minha visão interna e externa para o que estava realmente vendo. Levou um certo tempo. E, hum, levou um certo tempo para nos acostumarmos um com o outro. Eu, eu tenho que admitir isso. Tenho que admitir isso.

Vamos ver, ele foi embora em 39, e só o vi novamente em ... 46...em abril de 46, e foi muito estranho. Vim de barco, e cheguei, hum, acho que foi na Páscoa judaica, durante os feriados de Pessach. Meu pai também continuou sendo muito religioso. Ele veio para Boston me buscar. Cheguei no porto de Boston, e ele, ele não pôde viajar até o barco para me encontrar. Ele enviou outra pessoa, e esta pessoa me levou para o apartamento onde ele estava e asssim o reencontrei. E achei que encontraria um homem velho, porque eu tinha passado por tanta coisa... Eu tinha vivido seis vidas, sabe, para mim foi como se fossem cem anos. E achei que veria um homem velho e acabado, cheio de tristeza, sofrimento e remorso. Mas não foi assim. Lá estava um homem jovem, bonito, de cabelos escuros, ereto e elegante, com 50 anos de idade, que me saudou. E isso, isso foi...Tive que ajustar minha visão interna e externa para o que estava realmente vendo. Levou um certo tempo. E, hum, levou um certo tempo para nos acostumarmos um com o outro. Eu, eu tenho que admitir isso. Tenho que admitir isso.

Gerda cresceu em uma família religiosa na pequena cidade de Ansbach, Alemanha, onde seu pai era um açougueiro que atendia a comunidade judaica. Ela freqüentou escolas alemãs até 1936, quando se mudou para Berlim para estudar em uma instituição de ensino judaica. Ela voltou para sua cidade natal após a Noite dos Cristais, em novembro de 1938. Sua família foi obrigada a se mudar para Munique, e em julho de 1939, seu pai partiu para a Inglaterra e de lá para os Estados Unidos. Ele não conseguiu levar sua família junto. Gerda mudou-se para Berlim em 1939 para estudar enfermagem, e lá ela trabalhou no hospital judaico por dois anos. Sua mãe foi deportada para Riga, na Letônia, e sua irmã, também enfermeira, foi transportada para Auschwitz; nenhuma delas sobreviveu à Guerra. Em 1943, Gerda foi enviada para o gueto de Theresienstadt, onde continuou trabalhando como enfermeira. Ela partiu para a Suíça em fevereiro de 1945, e reencontrou seu pai nos Estados Unidos em abril de 1946.

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