
Irene Hizme
1937, Teplice-Sanov, Tchecoslováquia
Descreve a vida em um orfanato católico na França, após a Guerra. [Vídeos de Entrevistas: 1995]
Eu fui transportada para a França e, finalmente, cheguei a um orfanato em Fublaines, que fica nos subúrbios de Paris. Eu era uma das crianças mais novas lá, e eu não falava com ninguém, a não ser com Miriam [uma amiga de Irene], que era, eu acho, cerca de sete anos mais velha que eu. De certo modo, ela era quase uma figura materna para mim, porque ela, eu tinha esses longos cachos, e ela brincava com eles, ela era muito cuidadosa [comigo e com] as outras crianças. Eu era a única criança lá com um número [tatuado pelos nazistas], então eu achava que havia algo errado comigo. Eu achava que eu tinha feito alguma coisa terrível, porque só eu tinha aquele número, ninguém mais tinha. A maioria daquelas crianças, de alguma forma, havia conseguido escapar se escondendo ou por seus pais as haverem entreguem temporariamente [a outras pessoas para serem cuidadas e escondidas]. Posteriormente, algumas delas conseguiram se reencontrar com seus pais, outras [não tinham mais pais]apenas tinham parentes e estavam esperando para serem enviadas para [junto eles], coisas assim.
Eu fui transportada para a França e, finalmente, cheguei a um orfanato em Fublaines, que fica nos subúrbios de Paris. Eu era uma das crianças mais novas lá, e eu não falava com ninguém, a não ser com Miriam [uma amiga de Irene], que era, eu acho, cerca de sete anos mais velha que eu. De certo modo, ela era quase uma figura materna para mim, porque ela, eu tinha esses longos cachos, e ela brincava com eles, ela era muito cuidadosa [comigo e com] as outras crianças. Eu era a única criança lá com um número [tatuado pelos nazistas], então eu achava que havia algo errado comigo. Eu achava que eu tinha feito alguma coisa terrível, porque só eu tinha aquele número, ninguém mais tinha. A maioria daquelas crianças, de alguma forma, havia conseguido escapar se escondendo ou por seus pais as haverem entreguem temporariamente [a outras pessoas para serem cuidadas e escondidas]. Posteriormente, algumas delas conseguiram se reencontrar com seus pais, outras [não tinham mais pais]apenas tinham parentes e estavam esperando para serem enviadas para [junto eles], coisas assim.
Irene e seu irmão gêmeo, René, tiveram originalmente os nomes de Renate e Rene Guttmann. A família mudou-se para Praga logo após o nascimento dos gêmeos, e lá moravam quando os alemães ocuparam a Boêmia e a Morávia [partes da atual República Tcheca] em março de 1939. Alguns meses depois, alemães uniformizados prenderam seu pai. Décadas mais tarde, Irene e René descobriram que ele foi assassinado no campo de Auschwitz, em dezembro de 1941. Irene, René e sua mãe foram deportados para o gueto de Theresienstadt e, mais tarde, para o campo de Auschwitz. Em Auschwitz, os gêmeos foram separados e submetidos a cruéis "experiências médicas". Irene e René ainda permaneceram separados por algum tempo após a libertação de Auschwitz. O grupo "Rescue Children" (Crianças Resgatadas) levou Irene para os Estados Unidos em 1947, onde ela reencontrou-se com René em 1950.
US Holocaust Memorial Museum - Collections
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