United States Holocaust Memorial Museum The Power of Truth: 20 Years
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Enciclopédia do Holocausto

 

 

 

Testemunho

Charlene Schiff
1929, Horochow, Polônia

Descreve a procura por alimentos para sobreviver nas florestas depois de fugir do gueto de Horochow [Vídeos de Entrevistas: 1993]

Transcrição:

Como eu vivia na floresta, ou nas florestas, no plural? Eu não sei, mas é uma coisa incrível, quando se está com fome e completamente desmoralizado, você se torna criativo. Eu nunca... mesmo quando falo sobre isso, eu não acredito. Eu comi minhocas. Eu comi insetos. Eu comi qualquer coisa que eu pudesse por na boca. E, eu não sei, de vez em quando eu ficava muito doente. Havia alguns cogumelos selvagens, tenho certeza de que eles eram venenosos, não sei, cogumelos venenosos. Eu estava doente. Meu estômago estava ruim, mas mesmo assim pus o cogumelo na boca porque precisava mastigar alguma coisa. Eu tomei água de poças, neve. Qualquer coisa que eu conseguisse. Algumas vezes, eu entrava escondida em depósitos de batatas que os fazendeiros tinham perto das vilas. Esses eram bons lugares para se esconder porque eram um pouco mais quentes no inverno. Mas lá também havia roedores e tudo. E comer ratos crus, sim, eu comi. Com certeza, eu queria muito, muito mesmo, continuar viva, porque fiz coisas indescritíveis. Eu comi coisas que ninguém imaginaria ser capaz de comer. De alguma forma eu sobrevivi. Eu não sei por quê. Continuo me perguntando isso. Mas sobrevivi.

Como eu vivia na floresta, ou nas florestas, no plural? Eu não sei, mas é uma coisa incrível, quando se está com fome e completamente desmoralizado, você se torna criativo. Eu nunca... mesmo quando falo sobre isso, eu não acredito. Eu comi minhocas. Eu comi insetos. Eu comi qualquer coisa que eu pudesse por na boca. E, eu não sei, de vez em quando eu ficava muito doente. Havia alguns cogumelos selvagens, tenho certeza de que eles eram venenosos, não sei, cogumelos venenosos. Eu estava doente. Meu estômago estava ruim, mas mesmo assim pus o cogumelo na boca porque precisava mastigar alguma coisa. Eu tomei água de poças, neve. Qualquer coisa que eu conseguisse. Algumas vezes, eu entrava escondida em depósitos de batatas que os fazendeiros tinham perto das vilas. Esses eram bons lugares para se esconder porque eram um pouco mais quentes no inverno. Mas lá também havia roedores e tudo. E comer ratos crus, sim, eu comi. Com certeza, eu queria muito, muito mesmo, continuar viva, porque fiz coisas indescritíveis. Eu comi coisas que ninguém imaginaria ser capaz de comer. De alguma forma eu sobrevivi. Eu não sei por quê. Continuo me perguntando isso. Mas sobrevivi.

Os pais de Charlene eram líderes da comunidade judaica local e a família participava ativamente na mesma. O pai de Charlene era professor de filosofia na Universidade de Lvov. A Segunda Guerra Mundial começou com a invasão alemã da Polônia, no dia 1º de setembro de 1939. A cidade de Charlene se localizava na região oriental da Polônia, ocupada pela União Soviética sob o Pacto Germano-Soviético, de agosto de 1939. Com a ocupação soviética, a família permaneceu em sua casa e o pai de Charlene continuou lecionando. Os alemães invadiram a União Soviética em junho de 1941, e após a ocupação, prenderam o pai de Charlene. Ela nunca mais o viu. Charlene, sua mãe e sua irmã foram forçadas a ficar em um gueto construído pelos alemães, em Horochow. Em 1942, Charlene e sua mãe fugiram do gueto depois de ouvir rumores de que os alemães iriam destruí-lo. Sua irmã tentou se esconder em outro lugar e ninguém nunca mais soube dela. Charlene e sua mãe se esconderam em arbustos na margem do rio. Passaram parte do tempo submersas na água, conseguindo evitar serem descobertas. Elas passaram muitos dias escondidas. Um dia, Charlene acordou e descobriu que sua mãe havia desaparecido. Charlene sobreviveu sozinha nas florestas próximas a Horochow e foi libertada pelas tropas soviéticas. Por fim, ela emigrou para os Estados Unidos.

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