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Testemunho


Charlene Schiff
1929, Horochow, Polônia

Descreve uma escola infantil clandestina no gueto de Horochow [Vídeos de Entrevistas: 1993]

Transcrição:

No começo, minha mãe e várias outras mulheres organizaram uma escola clandestina para crianças que não tinham idade para trabalhar, e isso era uma coisa maravilhosa porque tínhamos algo pelo qual esperar. Isso nos fazia esquecer a fome e tudo aquilo, as insatisfações de levar uma vida tão primitiva. Essa escola funcionou por vários meses. Muitas das mulheres, inclusive a minha mãe, faziam trocas do lado de fora e traziam lápis de cor, papel, livros, e elas contavam histórias, nós cantávamos e coloríamos. Isso era algo pelo qual esperávamos ansiosos. Era realmente... se pelo menos tivesse durado, mas não durou. Durou poucos meses. E logo não havia mais jóias ou dinheiro para fazer as trocas. Não havia mais material, material escolar, e o estado de espírito meio que decaiu no gueto. As mulheres voltavam para casa, muito cansadas e com muita fome. Elas estavam muito desgastadas para fazerem um cara feliz para nós, crianças. E então isso também se desintegrou.

No começo, minha mãe e várias outras mulheres organizaram uma escola clandestina para crianças que não tinham idade para trabalhar, e isso era uma coisa maravilhosa porque tínhamos algo pelo qual esperar. Isso nos fazia esquecer a fome e tudo aquilo, as insatisfações de levar uma vida tão primitiva. Essa escola funcionou por vários meses. Muitas das mulheres, inclusive a minha mãe, faziam trocas do lado de fora e traziam lápis de cor, papel, livros, e elas contavam histórias, nós cantávamos e coloríamos. Isso era algo pelo qual esperávamos ansiosos. Era realmente... se pelo menos tivesse durado, mas não durou. Durou poucos meses. E logo não havia mais jóias ou dinheiro para fazer as trocas. Não havia mais material, material escolar, e o estado de espírito meio que decaiu no gueto. As mulheres voltavam para casa, muito cansadas e com muita fome. Elas estavam muito desgastadas para fazerem um cara feliz para nós, crianças. E então isso também se desintegrou.

Os pais de Charlene eram líderes da comunidade judaica local e a família participava ativamente na mesma. O pai de Charlene era professor de filosofia na Universidade de Lvov. A Segunda Guerra Mundial começou com a invasão alemã da Polônia, no dia 1º de setembro de 1939. A cidade de Charlene se localizava na região oriental da Polônia, ocupada pela União Soviética sob o Pacto Germano-Soviético, de agosto de 1939. Com a ocupação soviética, a família permaneceu em sua casa e o pai de Charlene continuou lecionando. Os alemães invadiram a União Soviética em junho de 1941, e após a ocupação, prenderam o pai de Charlene. Ela nunca mais o viu. Charlene, sua mãe e sua irmã foram forçadas a ficar em um gueto construído pelos alemães, em Horochow. Em 1942, Charlene e sua mãe fugiram do gueto depois de ouvir rumores de que os alemães iriam destruí-lo. Sua irmã tentou se esconder em outro lugar e ninguém nunca mais soube dela. Charlene e sua mãe se esconderam em arbustos na margem do rio. Passaram parte do tempo submersas na água, conseguindo evitar serem descobertas. Elas passaram muitos dias escondidas. Um dia, Charlene acordou e descobriu que sua mãe havia desaparecido. Charlene sobreviveu sozinha nas florestas próximas a Horochow e foi libertada pelas tropas soviéticas. Por fim, ela emigrou para os Estados Unidos.

— US Holocaust Memorial Museum - Collections


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