
Norbert Wollheim
1913, Berlim, Alemanha
Descreve o trabalho escravo na fábrica de Buna. [Vídeos de Entrevistas: 1992]
Tivemos o primeiro dia de experiência quando fomos forçados a marchar até a grande região chamada Buna, repleta de fábicas. Bem, a área era um grande lamaçal naquela época. Estávamos em março, a chuva havia caído sem perdão e, não havia estradas na verdade, então, era muito difícil andar, precisávamos fazer muita força para conseguir andar. Fomos colocados – aquele era o destino certo dos recém-chegados – para fazer o trabalho mais difícil, que era transportar e cavar, e não podíamos fazer o serviço com calma, tínhamos que andar depressa carregando cimento e ferro e coisas do tipo. Existem algumas técnicas para lidar com, por exemplo, com o carregamento de ferro para você se proteger, mas com o cimento era extremamente difícil, principalmente quando chovia e aqueles sacos de cimento abriam. Então, o cimento virava uma massa e cobria nossa roupa e nosso corpo. No outro lado daquilo que era nosa suposta existência ou vida, não havia quase nada, nenhuma chance de nos manter limpos, porque não podíamos ter nada. É claro que não tínhamos dinheiro, não tínhamos escovas de dente, não tínhamos lâmina de barbear. A única coisa que eles nos davam eram tigelas, tigelas para serem usadas para a sopa que eles nos davam, e nada mais. Então era difícil, praticamente impossível nos manter limpos, principalmente naquelas condições de trabalho, e estávamos totalmente conscientes de que se não conseguíssemos nos manter limpos, todo tipo de problema poderia acontecer, como doenças e tal. Uma das coisas, por exemplo, que aprendemos muito rápidamente era que, quando os sacos de cimento se abriam, e aqueles sacos tinham três camadas diferentes de papel, era possível usar a camada do meio como uma espécie de papel higiênico, ou usar para cobrir feridas e coisas assim. Em outras palavras, você voltava a um tipo muito, muito primitivo de existência, a qual nem todo mundo estava acostumado.
Tivemos o primeiro dia de experiência quando fomos forçados a marchar até a grande região chamada Buna, repleta de fábicas. Bem, a área era um grande lamaçal naquela época. Estávamos em março, a chuva havia caído sem perdão e, não havia estradas na verdade, então, era muito difícil andar, precisávamos fazer muita força para conseguir andar. Fomos colocados – aquele era o destino certo dos recém-chegados – para fazer o trabalho mais difícil, que era transportar e cavar, e não podíamos fazer o serviço com calma, tínhamos que andar depressa carregando cimento e ferro e coisas do tipo. Existem algumas técnicas para lidar com, por exemplo, com o carregamento de ferro para você se proteger, mas com o cimento era extremamente difícil, principalmente quando chovia e aqueles sacos de cimento abriam. Então, o cimento virava uma massa e cobria nossa roupa e nosso corpo. No outro lado daquilo que era nosa suposta existência ou vida, não havia quase nada, nenhuma chance de nos manter limpos, porque não podíamos ter nada. É claro que não tínhamos dinheiro, não tínhamos escovas de dente, não tínhamos lâmina de barbear. A única coisa que eles nos davam eram tigelas, tigelas para serem usadas para a sopa que eles nos davam, e nada mais. Então era difícil, praticamente impossível nos manter limpos, principalmente naquelas condições de trabalho, e estávamos totalmente conscientes de que se não conseguíssemos nos manter limpos, todo tipo de problema poderia acontecer, como doenças e tal. Uma das coisas, por exemplo, que aprendemos muito rápidamente era que, quando os sacos de cimento se abriam, e aqueles sacos tinham três camadas diferentes de papel, era possível usar a camada do meio como uma espécie de papel higiênico, ou usar para cobrir feridas e coisas assim. Em outras palavras, você voltava a um tipo muito, muito primitivo de existência, a qual nem todo mundo estava acostumado.
Norbert havia estudado Direito e era assistente social em Berlim. Ele trabalhava no Kindertransport, Transporte de Crianças, providenciando o envio de crianças judias da Europa central para a Grã-Bretanha. Seus pais, que também moravam em Berlim, foram deportados em dezembro de 1942. Norbert, sua esposa e seu filho foram deportados para Auschwitz em março de 1943. Ele foi separado de sua família e enviado à fábrica de Buna, perto de Auschwitz III (Monowitz), para efetuar trabalho escravo. Norbert sobreviveu ao campo de Auschwitz, e foi libertado pelas forças norte-americanas na Alemanha, em maio de 1945.
US Holocaust Memorial Museum - Collections