
Johanna Gerechter Neumann
1930, Hamburgo, Alemanha
Descreve como sua família obteve vistos para emigrar para a Albânia [Vídeos de Entrevistas: 1990]
[Meus pais] Procuraram asilo onde quer que fosse, mas as possibilidades eram muito, muito restritas. Eles pensaram na Inglaterra, mas a Inglaterra exigia que se depositasse uma grande quantia de dinheiro como fiança para cada um que lá entrasse. Não sei exatamente qual era o valor, mas não acredito que meus pais tivessem os recursos necessários, e aparentemente, tampouco os tinham a família Meyer [amigos dos pais]. Então, tivemos que encontrar outras alternativas. Meu pai, acho que ele tinha – não, não acho, eu tenho certeza – ele tinha primos na Argentina, mas era muito difícil ir para aquele país. Era preciso provar que, de alguma forma, você estava ligado profissionalmente à agricultura, e é claro que ele não tinha como provar. Ele era um homem de negócios, não tinha como negar. Então, aquela opção foi abandonada. Então, de alguma forma, e não estou cem por cento certa de como a possibilidade da Albânia apareceu, mas o que sempre ouvi era que, durante um jogo de bridge, minha mãe conheceu um diplomata albanês que servia na Alemanha e, durante a conversa que tiveram, ele comentou que iria se casar em breve e que gostaria de passar sua lua-de-mel na Suíça. Então, meus pais e a família Meyer lhe emprestaram dinheiro. Ele nos deu em troca, talvez não em troca – não quero que pareça que aquilo tenha sido um suborno. Eu acredito que ele podia mesmo, honestamente, oferecer vistos oficiais para a Albânia.
[Meus pais] Procuraram asilo onde quer que fosse, mas as possibilidades eram muito, muito restritas. Eles pensaram na Inglaterra, mas a Inglaterra exigia que se depositasse uma grande quantia de dinheiro como fiança para cada um que lá entrasse. Não sei exatamente qual era o valor, mas não acredito que meus pais tivessem os recursos necessários, e aparentemente, tampouco os tinham a família Meyer [amigos dos pais]. Então, tivemos que encontrar outras alternativas. Meu pai, acho que ele tinha – não, não acho, eu tenho certeza – ele tinha primos na Argentina, mas era muito difícil ir para aquele país. Era preciso provar que, de alguma forma, você estava ligado profissionalmente à agricultura, e é claro que ele não tinha como provar. Ele era um homem de negócios, não tinha como negar. Então, aquela opção foi abandonada. Então, de alguma forma, e não estou cem por cento certa de como a possibilidade da Albânia apareceu, mas o que sempre ouvi era que, durante um jogo de bridge, minha mãe conheceu um diplomata albanês que servia na Alemanha e, durante a conversa que tiveram, ele comentou que iria se casar em breve e que gostaria de passar sua lua-de-mel na Suíça. Então, meus pais e a família Meyer lhe emprestaram dinheiro. Ele nos deu em troca, talvez não em troca – não quero que pareça que aquilo tenha sido um suborno. Eu acredito que ele podia mesmo, honestamente, oferecer vistos oficiais para a Albânia.
No período entre a intensificação das medidas contra os judeus e o massacre de Kristallnacht ("Noite dos cristais"), em 1938, a família de Johanna decidiu deixar a Alemanha. Eles conseguiram vistos para a Albânia, atravessaram pela Itália e viajaram de barco em 1939. Eles permaneceram na Albânia sob ocupação italiana e, depois que a Itália se rendeu em 1943, sob ocupação alemã. A família foi libertada após uma batalha entre os alemães e guerrilheiros albaneses em dezembro de 1944.
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