
Edward Lessing
1926, Haia, Holanda
Descreve o uso obrigatório do distintivo judaico. [Vídeos de Entrevistas: 1990]
Aí veio o decreto obrigando a gente a usar uma estrela. Todos os judeus tinham que usar uma estrela [de David] quando saíam de casa. Então, minha
mãe costurou a estrela nas minhas roupas. E eu me lembro de um incidente. Eu tenho um primo, meu primo Hans, que hoje vive em Springfield, Massachusetts. Nós temos mais ou menos a mesma idade e, na época, éramos bem parecidos e tínhamos um casaco igual, parecíamos gêmeos. E Hans sempre dizia: "Ei, vamos sair...vamos sair por ai como se fôssemos gêmeos". Então, a gente colocava as mesmas meias, camisas, tudo o mais parecido possível, mesmos cachecóis, e a gente andava como se fôssemos gêmeos. E a gente...era muito legal. A diferença era que eu tinha uma estrela na roupa e ele não. Bem, aquela era a única coisa diferente. A mãe dele, minha tia Clara, havia se casado com um não-judeu e, então, Hans era meio judeu. Lembro que uma vez, andando por Delft, fomos parados por um alemão. Aquela foi a única ocasião em que um alemão tocou um dedo em mim. Eu fui parado por aquele alemão, nós fomos parados por ele. Estávamos usando os sobretudos iguais, e o alemão falou para o meu primo Hans: "O que você está fazendo andando com um judeu?" E eu disse: "Ele é meu primo". O alemão me deu um tapa com toda força na cara e eu caí no chão. Plaft! Bem assim...E ele disse algo como "seu judeu nojento". E ele disse ao meu primo: "Não quero nunca mais ver você andando com ele, com um judeu."
Aí veio o decreto obrigando a gente a usar uma estrela. Todos os judeus tinham que usar uma estrela [de David] quando saíam de casa. Então, minha
mãe costurou a estrela nas minhas roupas. E eu me lembro de um incidente. Eu tenho um primo, meu primo Hans, que hoje vive em Springfield, Massachusetts. Nós temos mais ou menos a mesma idade e, na época, éramos bem parecidos e tínhamos um casaco igual, parecíamos gêmeos. E Hans sempre dizia: "Ei, vamos sair...vamos sair por ai como se fôssemos gêmeos". Então, a gente colocava as mesmas meias, camisas, tudo o mais parecido possível, mesmos cachecóis, e a gente andava como se fôssemos gêmeos. E a gente...era muito legal. A diferença era que eu tinha uma estrela na roupa e ele não. Bem, aquela era a única coisa diferente. A mãe dele, minha tia Clara, havia se casado com um não-judeu e, então, Hans era meio judeu. Lembro que uma vez, andando por Delft, fomos parados por um alemão. Aquela foi a única ocasião em que um alemão tocou um dedo em mim. Eu fui parado por aquele alemão, nós fomos parados por ele. Estávamos usando os sobretudos iguais, e o alemão falou para o meu primo Hans: "O que você está fazendo andando com um judeu?" E eu disse: "Ele é meu primo". O alemão me deu um tapa com toda força na cara e eu caí no chão. Plaft! Bem assim...E ele disse algo como "seu judeu nojento". E ele disse ao meu primo: "Não quero nunca mais ver você andando com ele, com um judeu."
Edward nasceu no seio de uma família judia em Haia. Em 1929, sua família mudou-se para os Estados Unidos mas, como seu pai teve dificuldades em encontrar emprego, a família retornou a Holanda em 1932. Eles passaram a morar na cidade de Delft e tinham uma pequena loja de roupas quando a Guerra começou. A Alemanha invadiu a Holanda em maio de 1940. Decretos antissemitas foram instituídos e seu rigor foi aumentando até chegar ao ponto em que os judeus não mais podiam possuir estabelecimentos comerciais e, a partir de 3 de maio de 1942, ainda eram obrigados a usar um distintivo amarelo na roupa. Quando as deportações de judeus da Holanda começaram, Edward e sua família se esconderam. Edward se fez passar por não-judeu até o fim da Guerra.
US Holocaust Memorial Museum - Collections